Topo1

Apresentação

O IV Seminário Trabalho e Gênero é a continuação da sequência bienal de eventos que vêm sendo realizados pelo Núcleo de Estudos sobre o Trabalho (NEST) da Faculdade de Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás (UFG) desde 2006. A edição de 2012 será realizada em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade de Campinas (Unicamp) na forma de seminário internacional a partir de três eixos articulados ao tema central, destacando a dimensão política: o protagonismo das mulheres na sociedade atual, o ativismo político das mulheres nos movimentos sociais, sindical, estudantil, e, finalmente, questões de gênero revisitadas, debate contemporâneo em torno de novas e velhas questões que os estudos de gênero mobilizam.

Nos anos 1980, a emergência do conceito/categoria gênero tornou-se nuclear para se compreender as relações de trabalho e passa também a influenciar os estudos sobre o sindicalismo e, mais recentemente, os movimentos sociais. O legado construído pelos estudos de gênero é motivo de aprofundamento da pesquisa sobre conquistas históricas, mas também sobre as formas de dominação existentes nas relações de trabalho e das hierarquias e exclusões que marcam reiteradamente a experiência das mulheres brasileiras nos movimentos populares em geral e no sindicalismo em particular.

Se, por um lado, o trabalho tem sido analisado sob o prisma da exploração e das profundas marcas da desigualdade, seu lugar como ritual, como fonte de prazer e realização e como forma de subjetivação permanece em larga medida fora dessas análises. Esta perspectiva crítica aponta para a necessidade de se pensar a entrada em massa das mulheres no mundo do trabalho formal olhando para os efeitos nos processos de subjetivação e na construção de modos de vida inteiramente diversos daqueles experimentados historicamente pelos homens, em análises realizadas por outros homens. O seminário pretende abordar também esta faceta do debate, oferecendo pontos de vistas sobre a dinâmica do trabalho e do protagonismo/ativismo em seus efeitos sobre os modos de vida das mulheres numa sociedade ainda tida como “patriarcal”.

No desenvolvimento das análises sobre o entrelaçamento entre gênero e classe, especialmente nos estudos sobre trabalho, outras formas de exclusão e discriminação foram introduzidas ao debate, oferecendo uma perspectiva ampliada de como a articulação ou intersecção de marcadores sociais da diferença, pensados em conjunto, exacerbam a desigualdade. Faz parte dos interesses deste seminário apresentar enfoques nesta direção. Assim, ampliamos o político, este espaço no qual a ciência pode e deve ser ressignificada.